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Retalhos da vida de uns professores

Por aqui contamos episódios que se passaram dentro de uma sala de aula. Se és professor e quiseres, junta-te a nós!

Por aqui contamos episódios que se passaram dentro de uma sala de aula. Se és professor e quiseres, junta-te a nós!

Retalhos da vida de uns professores

22
Mai19

Dicionário falante

Bruxa Mimi

Ano de escolaridade: 4.º.

 

Há alguns alunos que pensam que eu sou um dicionário de inglês-português [correção: português-inglês corresponde mais à realidade]. Já os desiludi algumas vezes. Ontem não foi uma dessas vezes.

 

No fim da aula, um aluno veio "consultar-me", na companhia de outro.

 

Aluno: Como é que se diz "refém"?

Eu: Hostage.

Aluno: Obrigado.

Outro aluno: A professora sabe tudo! 

Eu: Não, não sei tudo.  Mas sei muito... 

27
Fev19

O meu lugar Feliz

Mamã Gansa

O D. é um menino especial com algumas dificuldades, mas muito calmo e carinhoso.

Depois de ter havido uma situação complicada, em que alguns colegas da turma se tinham envolvido, enquanto este se encontrava por perto a brincar, perguntei-lhe se me sabia contar o que tinha visto, pois como D.T estava a apurar a situação. A resposta dele foi fantástica:

-Sim, eu vi S’tora. Mas não me lembro de nada, porque estava muita confusão e eu fui para o meu lugar feliz!

 

Já tinha publicado originalmente num dos meus blogs mas não resisti a partilhar aqui.

18
Fev19

A engraçadinha

Bruxa Mimi

Sala de professores.

 

Colega 1: [...] ainda há o RTP*...

 

Eu: Ah, eu não costumo ver a RTP; eu é mais a Fox Life. 

 

Colega 2: Eu estava mesmo a ver que tu ias dizer algo do género! 

 

Eu: Nem sei como é que estive tanto tempo sem fazer a piadinha... Estou há semanas a aguentar-me! 

 

 

*RTP, em contexto escolar: Relatório Técnico-Pedagógico.

08
Fev19

De burro a cavaleiro andante

Bruxa Mimi

Ano de escolaridade: 4.º.

 

No intervalo após a aula, estavam ainda alguns alunos à minha roda, em amena cavaqueira (conversa relacionada com a disciplina, mas livre, por assim dizer). A certa altura, uma aluna diz a palavra donkey, pronunciando-a "donquei". Eu aproveito para corrigir a pronúncia.

 

Eu: Não é "donquei", é "donqui". Don-qui.

 

Outro aluno continua: ...xote!

don_quixote.jpg

Aquela "saída" foi completamente inesperada e arrancou-me uma gargalhada bem-disposta. 

26
Jan19

Não, encontrei esta na rua.*

Bruxa Mimi

Ano de escolaridade: 4.º.

[Nota prévia: Nas minhas mãos, em 99,999999% das vezes, uso apenas a aliança. Os meus alunos deste ano letivo nunca viram outra coisa a "enfeitar" os meus dedos.]

 

Aluna, olhando para a minha mão: É a sua aliança?

 

*Não foi isto que respondi, ok? Disse que era claro que sim (mas já não me lembro se o disse em português ou inglês!).

18
Jan19

A prisão

Bruxa Mimi

Ano de escolaridade: 3.º.

 

No fim da aula, estava apenas um aluno na sala (porque se atrasou no trabalho), além de mim. A certa altura, pergunta-me:

 

- Professora [ou terá sido Mrs Apalidow? Não me recordo.], por que é que a escola é uma prisão?

 

Eu [sem saber muito bem que dizer]: A escola não é uma prisão... Numa prisão os prisioneiros não vão para casa ao fim do dia...

 

Aluno: Mas por que é que é uma prisão durante o dia?

 

Eu: Se a escola fosse uma prisão, então todos os trabalhos seriam prisões... Não é uma prisão, é uma obrigação... É a vida!

 

Aluno: ...

 

Eu [em pensamento]: Como eu te entendo, J. ... A escola às vezes também me parece uma prisão!

16
Dez18

Como classificar esta pergunta?

Bruxa Mimi

Ano de escolaridade: 3.º.

 

Numa segunda-feira, disse à turma (de inglês) que ainda não tinha acabado de corrigir os testes, mas que tentaria entregá-los na aula seguinte, que era logo na terça-feira*. Comentário imediato de um aluno:

 

- E o que é que fez no sábado?

 

Episódio vivido em primeira mão, ninguém me contou...

 

*E entreguei mesmo.

05
Dez18

Usam cuecas e...

P. P.

   Nesta semana, fiquei incumbido da leitura de uma ficha de avaliação a uma aluna ao abrigo do Decreto-Lei 54/2018, a qual já conheço há 3 anos. A disciplina só podia ser história (e não estava trovoada no meu cérebro), para que não pudesse ajudar... Só que a minha relação com a turma é tão boa que nada estranham quando peço ajuda para a pergunta 4, 5 ou 10.  (Interpreto a ajuda de um aluno, durante uma prova, como uma forma de aprendizagem. Se aquele for o momento em que vai consolidar determinado conhecimento, que assim seja).

 

   As vivências da F. são muito reduzidas. Tenho quase a certeza absoluta que nunca foi a Coimbra, apesar da proximidade do caminho de ferro.

 

   Numa das perguntas, era pedido que os alunos observassem uma imagem e a contextualizassem como referente aos nómadas. Talvez por na penúltima aula terem abordado a romanização, todas as respostas iam ao encontro deste povo. Deste e dos nossos, claro.

Perguntei-lhe:

- Achas que são vaidosos e têm casas exuberantes, como as que vimos na aula da Senhora Professora?

- Não!... - respondeu.

- Repara, no que têm vestido e o que fazem aqui e ali? - perguntei, apontando na imagem.

- Vestem cuecas para tapar a passarinha e caçam

Não me contive... 

F. alegre, como não era há 3 anos, a tentar responder, e com uma imaginação muito fértil.

- Achas que isto são cuecas? Depois de tomar banho não colocas uma toalha à volta do corpo, a mãe ou o pai?

- Não sei. - respondeu.

- Ok, vejamos estas personagens. Umas caçam, outras pescam,...

- Outras matam animais. - acrescentou.

- Então será que já sabemos alguma caraterística dos nómadas? 

- Olha este aqui. Está sentado à fogueira a aquecer o cu(dado o vocabulário utilizado na casa de F. de nada adiantaria mostrar uma expressão "zangada" e dizer "nádegas")

 

Como não rir?

Pobre criança, com um professor tão angelical, que ao constatar tratar-se de um homem, logo lhe passou pela cabeça que alguma "fruta" poderia estar a ser aquecida. Só que enquanto cozinhava. 

 

 

 

02
Dez18

És tão velha e...

P. P.

   G. é um aluno adorável que tenho vindo a conhecer neste seu 4.º ano.

Inteligente e reguila. Aquele nível de traquinice que adoro. Porta-se bem na aula, mas em casa destrói tudo por causa, segundo ele, da irmã. Daqueles que, ainda na semana passada perguntou-me: "Quantos óculos tens, professor?". Ao responder 3, sorriu e fez a abservação "Tens 3 namoradas?! Acho que são mais. Conta lá!"

Com um professor de matemática atrevido, respondi "não achas que mais do que 3 dão muito trabalho? Eu não quero ter rugas?"

Após observar o meu rosto, pediu para que franzisse a testa, por forma a contestar a minha observação. "Assim todos as temos!"

- "Onde é que as arranjas? Diz lá quantas são!". 

Perante a insistência decidi envergonhá-lo. "Encomendo-as pela internet. Olha, vou ali ao PC, junto da tua professora e vamos arranjar-te uma". Julgando que estava a brincar e com a professora a alinhar na brincadeira "G. queres uma ruiva ou loura? De que raça?" Que corado ficou.

 

Foi então que a professora titular revelou que este menino, um dia, ainda a frequentar a Pré, chegou perto dela e perguntou:

- "Oh Professora, tu és tão velha e não cresces?!"

 

Observação: pessoalmente, nada tenho contra os alunos tratarem-me por "tu". Gosto e não é o que faz com que me faltem ao respeito. Quando mais crescidos, libertando-se do "tu" por imposição social, dou preferência a "Professor PP" ao invés de "Setor PP", terminologia que odeio. Professores são professores.

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